14.7.10

baltasar, blimunda, senhor josé e a mulher desconhecida


Um dia, uma amiga que tinha acabado de ler o Memorial do Convento, do Saramago, sabendo que eu já o tinha lido, quis saber a minha opinião sobre o livro. Vou eu e dou-lhe uma interpretação social-politica-económica-e-histórica do romance. Ela olhou para mim, com uma cara decepcionada, e disse: Para mim é apenas uma história de amor.

Mais tarde, tinha eu acabado de ler o Todos os Nomes, fui ter com ela. Disse-lhe que era a mais bela história de amor de que tinha memória - exagerar não faz mal. Ela, emocionada, pediu-me para lhe contar a história. Acedi. Quando terminei estava ela com uma cara de decepção, próxima da que tinha depois da minha análise social-política-económica-e-histórica do Memorial do Convento, e perguntou: Mas onde é que está aí a história de amor?

Ora bolas!

6 comentários:

Gingerbread Girl disse...

Ainda não li "Todos os Nomes". Ainda não. Lá chegarei.

Há livros que dão azo a várias interpretações, e ainda bem que assim é.


*

master atheist disse...

Vou eu.....
e dou-lhe...
uma interpretação social-politica-económica-e-histórica do romance
está klaro vai você
e em vez de vender dá,
uma interpretação ab-strata
da sociologia política do convento,
esqueceu-se da religiosa, sado-masoquista, sexual e proletário(relações de trabalho)a apărut o eroare în timpul procesării acestui formular do romance,
isto sem esquecer a vertente ateísta alimentar e a parte culinária, que é diferenciada

Manuela Coelho disse...

Nem sempre encontramos o interlocutor certo para a nossa linha de pensamento. Ando a ler As Intermitências da Morte, às vezes dou comigo a rir sozinha, este homem tinha uma imaginação prodigiosa...

Vamos ter que esperar mais dois meses pelo próximo post?:/
Assim não vale;)

Bj

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Jêcêtêpamigo

Sim senhor, gostei do teu blogue e do que escreves sobre o Saramago - que conheci pessoalmente, com quem de alguma forma privei, até almoçámos duas ou três vezes.

Essa da interpretação social-política-económica-e-histórica é bem desarrincada, lá isso é. Parabéns.

O Saramago era um génio da escrita, mas, como todos eles, tinha senãos. Por vezes, era difícil falar com ele e um dia tive vontade de o deixar sozinho e pôr-me na alheta.

Saiu do Diário de Notícias antes de eu ter entrado. E não nos podemos esquecer que saneou 24 jornalistas do DN. Feitios. Vidas.

Prontos, sem s. Fico aguardando que me procures no meu barraco, onde podes ir sem receios de que te mordam ou cobrem impostos (ainda). E podes deixar uns cumentários, com o. Közsönöm, que quer dizer multumesc frumos em hungariez.

Abs

Tulipa disse...

É a beleza de um livro, podermos projectar a nossa realidade nele.
Por isso, hoje é só uma história de amor, amanhã será apenas uma história que reflecte a vida social-politica-económica-histórica da época :)

AC disse...

:)